20080426

"Nem Pai-Nosso nem Ave-maria"

"Não ensines os teus filhos sobre religião... outros tratarão de os ensinar por ti"
In: Uma discussão com muito interesse
Aqui


Pergunto-me:

Se quero o melhor para os meus filhos, não terei o dever (e o direito) de os educar nos valores em que acredito?

Não é aos pais que cabe o principal papel da educação dos filhos?

Vou deixar toda a sua educação, em matéria de religião, de moral e, até, de sexo e de comportamentos de risco, nas mãos de terceiros?

E depois queixam-se de que há uma grande crise de valores!

20080425

Dúvida...



Senhor!
Tenho uma dúvida terrível:
as gaiolas servem para guardar alguém dentro delas
ou para conservar os outros de fora?
Basta reparar
de que lado está a fechadura.
Se todos fossem bons
ninguém mais
precisaria de uma gaiola...

Senhor,
dá ao mundo
mais clareza
de ideias.


(In: Angela Toigo, Um rato fala com Deus)

20080423

Falar verdade a brincar...

Nesta viagem a que chamamos vida, quantas vezes não deslizamos, escorregamos, derrapamos, em piso molhado, saturado de sabão?

Vai-se subindo degrau a degrau à procura de um lugar ao sol ou de uma sombra refrescante.
Mas o meio envolvente está pronto a pregar-nos partidas e é precisa toda a atenção.

Cada estrada que se percorre ou cada degrau que se sobe, não é mais do que uma ténue linha de seda entre o que se sabe e o que se desconhece.
Do lado de lá, a doce tentação - uma caixa de bombons de chocolate e um bouquet de flores.


Mal nos aproximamos e eis que, sem pedir licença, uma abelha escondida numa flor, vem ferrar-nos o nariz, quando, daquela, apenas queríamos o odor!

[Meu texto enviado ao 2.º jogo das 12 palavras (Texto V) ]

20080419

Vem Espírito de Amor

O amor que o Espírito me dá,
a força que tem p’ra mudar,
Quando me afasto ensina-me a caminhar,
A minha vida nas mãos de Deus quer ficar.
Sol da minha vida, quantas vezes me senti perdido
Cego na escuridão sem encontrar um caminho.


Vem Espírito de amor
Ilumina a minha vida,
Vem encher de calor esta alma sofrida.
Vem Espírito de amor
Ilumina a minha vida,
Vem encher de calor esta alma sofrida.



O fogo que desceu do céu,
mostra como falar de Deus
Sem medo, sem vergonha eu quero gritar,
Senhor, meu Deus, a Ti sempre quero amar.
Sinto a Tua força, enches-me com a Tua paz,
Sei que estou seguro que sempre me guiarás.

Espírito de amor /SDPJ Lisboa, 
letra de Vítor Duro e Víctor Palma, música de Víctor Palma
Download da música aqui

Pauta com solo de flauta

20080413

Meme literário

Recebi este Meme de Ecclesiae Dei e do Joaquim.
Este Meme pretende que se escolha cinco autores preferidos, e um que mereça apodrecer na estante.

Depois de vasculhar na estante da minha memória aqui deixo alguns. Poderia referir outros pois, por vezes, não é bem o autor que me induz a comprar determinado livro. Tem mais a ver com o que espero, em determinada altura, que essa leitura me venha a proporcionar. Também, se começo a ler um livro e este não corresponde ao esperado, dificilmente o levarei até ao fim ou voltarei a querer ler outro do mesmo autor.

Autores:

dos livros da Bíblia – Porque inspirados por um Autor Maior, e a Palavra de Deus é companhia que não se pode dispensar.

Dorothy Gilman – pelo mistério, o suspense, o enredo das aventuras que conta.

Nicholas Sparks
e
Robert James Waller – porque gosto de ler livros pelo prazer e emoção que me trazem, e estes autores tão bem os despertam em mim.

Júlio Dinis – pelo tipo de escrita realista que, de alguma maneira, me marcou nos romances que li na adolescência.

O que deixaria apodrecer na estante, neste momento (se pudesse)… Saramago – porque me estou a ver à rasca para ler O Memorial do Convento e não gosto de ler por obrigação.


Como devo passar este Meme para mais alguém, desafio os meus comentadores(as) que ainda o não tenham feito.

Quero ver quem gosta de ler quem ;)

20080410

Experiências



Brinquei ao 1.º Jogo das 12 Palavras com o texto XIX

Foi uma experiência...

... outra experiência, que tinha meio abandonada e que resolvi retomar

... porque às vezes é preciso arejar!

20080406

Incoerências

Se já não andava muito bem, hoje piorei!
Estou aqui que nem posso. Chateada, aborrecida. Estou arrasada. Gasta, sufocada, perdida, estoirada… mas não vencida!

Eu, incrédula, ainda não me tinha dado bem conta da dimensão da superficialidade da vivência cristã, nos nossos dias.
Como é que se chega a um 10.º ano da Catequese, em vésperas de se receber o Sacramento da Confirmação, em completa contestação às leis da Igreja, às quais se chama “esta porcaria”?!!!

Que moverá alguns adolescentes a fazer o Crisma?

Ao abordar assuntos referentes ao recebimento deste Sacramento, nomeadamente no tocante ao perfil dos padrinhos, instalou-se a polémica.

Afinal para que serve um padrinho ou madrinha de Crisma? Não será para, entre outras coisas, lhe transmitir a sua vida cristã? Poderá alguém dar aquilo que não tem?
Já nem falo nas polémicas de anos anteriores, em que queriam à força ter um padrinho de Crisma sem ser ele próprio crismado! Parece que isso já entenderam. O que parece não terem entendido, ainda, é que para se transmitir vida cristã, tem que se viver como cristão. E o que é viver como cristão é que ainda não entrou bem na cabeça das pessoas.

Os Mandamentos da lei de Deus não são fáceis de cumprir. Muito embora se possam resumir a dois: amar a Deus e amar o próximo, eles são dez, que ditam regras de conduta que tem que ser seguida. Sabemos que a fragilidade humana nos coloca pedras no caminho que nos fazem tropeçar e que, muitas vezes, “não fazemos o bem que queremos e fazemos o mal que não queremos”. “O justo peca sete vezes ao dia”. Mas sabemos também que Deus nunca nos abandona. Os Sacramentos que nos deixou são disso prova. Se sentimos a consciência pesada devemos abeirar-nos do Sacramento da Reconciliação que restaura em nós a pureza perdida.

Mas a consciência só nos acusa daquilo em que nós sabemos que falhámos. E as mentalidades de hoje começam a encarar com completa normalidade aquilo que não o é!

Um dos requisitos para os padrinhos do Crisma é serem pessoas que, se casadas, que o sejam pelo Sacramento do Matrimónio e não apenas pelo civil, ou se solteiras, que não vivam maritalmente com ninguém. Ora, foi neste ponto que a bomba estoirou.

Se se é cristão, faz sentido que se siga a Cristo e a sua doutrina. Para quem não é cristão, não faz sentido seguir essa doutrina. Se se é cristão, no tocante ao casamento, faz sentido que se receba o Sacramento do Matrimónio. Se não for cristão, casar pela Igreja é uma incoerência. Tal como é uma incoerência, no caso de se dizer Cristão, viver maritalmente sem receber este Sacramento ou antes de o receber.

Como é que se pode avaliar se uma pessoa vive ou não cristãmente?
Certamente que os sinais exteriores darão alguma indicação. Mas quem sou eu para ajuizar o que quer que seja?

Deixei a minha advertência. Aconselhei a que fosse procurada ajuda espiritual, por exemplo através da Confissão. O que um catequista ensina é em nome da Igreja e não em seu nome pessoal.

Atiraram-me com “ponho as minhas mãos no lume em como a Igreja daqui a alguns anos não terá ninguém.”

Mas afinal, é a Igreja, fundada por Cristo, que segue a doutrina deixada por Cristo, que deve moldar-se à mentalidade da sociedade civil? Aos apetites inconstantes das pessoas? Não serão as pessoas que têm que decidir se querem viver segundo estes ensinamentos ou não? Seguem-nos, se sentem esse chamamento e necessidade, mesmo sabendo que correm o risco de tropeçar, pois sabem que Jesus está sempre connosco em Espírito Santo, para nos ajudar nas nossas fraquezas.

Quem achar que este é um caminho demasiado estreito, que não o force para que seja uma estrada larga de facilidades, pois nunca o será.

Muito mais poderia aqui referir de todo o bate-boca que se gerou. Muito mais aqui escrevi e acabei por apagar. Estou cansada. Às vezes dá-me vontade de fazer como Jesus quando expulsou os vendilhões do Templo. Outras vezes dá-me vontade de desistir desta “gente de pouca fé”. Sou fraca, imperfeita, pecadora. Espero que Deus me dê a força necessária a “travar o bom combate”, porque sei que vai sobrar para mim!

20080401

Sinais dos tempos(?)

Os tempos andam conturbados…
Tudo nos empurra para o materialismo, o individualismo, o ter…
Move-nos o alcançar mais do que o nosso vizinho.

Quando vou de férias quero poder gastar à farta e de regresso poder ostentar aos amigos quanto gastei. Assim, sim, as minhas férias foram as maiores porque numa semana gastei mais do que o meu vizinho em três. Isto é que são férias! Se tiver que contar os trocados nem me divirto nem descanso!
Quero a moto-quatro; o carocha; o dona Elvira; o BMW; o SLK; mulheres…
a mansão onde não se toca na decoração feita pelo decorador mais conceituado, nem se cozinha, para que tudo esteja sempre impecável… nada de crianças em casa…
quero a piscina aquecida; a casa na praia; a choupana na serra…
e já agora o barco de recreio; o helicóptero…
Isto é que é vida!
Onde é que arranjo dinheiro para isto tudo? Que importa?! Alguém há-de pagar…

(Hoje estou particularmente venenosa! Deve ser por me faltar a Net em casa…)
Raio! Não vivo sem isso!

Pergunto-me quem sou eu e o que faço aqui num mundo destes?

Decididamente ando fora do mapa!

Quando me debruço sobre a pobreza que grassa pelo mundo e em Portugal, fico estupefacta com os números e com a falta de vontade política para resolver esta questão.
Pudera! A fome do “ter” e do “poder” é tão grande, que ultrapassa de longe a fome dos bens de primeira necessidade! Por isso é que 20% da população mundial detém 82,7% da riqueza do mundo, enquanto os 20% mais pobres vivem mergulhados na miséria, tentando sobreviver com menos de um dólar por dia.
E, no entanto, nos últimos 50 anos as riquezas do Planeta foram multiplicadas por 7.
Isto brada aos céus! O bem de uns é o mal de outros!...

É a indiferença o que caracteriza esta sociedade. As pessoas vivem em função do que dá dinheiro. Ninguém faz nada de graça. Quem quiser que se “amanhe”…
Podemos dizer que os nossos tempos são “insossos”, porque lhes falta o tempero da gratuitidade, do fazer sem nada esperar em troca.
Daí resulta o pessimismo, o medo do futuro, a insegurança pessoal e colectiva…
Tudo isto demonstra o “apagão” interior em que vivem muitas pessoas. Ou seja, por vezes o estado do coração das pessoas é tal que não vêem “um palmo à frente do nariz”, nem uma “luz ao fundo do túnel”.

É preciso dizer que, felizmente, muitas pessoas ainda são capazes de ter em si o tempero e a luz necessários à sua vida, e assim vão experimentando o caminho da felicidade.

O cristão é chamado a ser “sal da terra” e “luz do mundo”, o que num contexto assim se revela uma tarefa deveras difícil.
De qualquer modo, acho que quem, apesar de todas as contrariedades, consegue encontrar o norte, não quererá fazer o caminho sozinho, gostará que outros também o percorram.

Sabemos bem que a palavra só não basta, o “olha para o que eu digo e não para o que eu faço” não resulta. Importa, sim, é o exemplo que se dá, o colaborar consciente e assumidamente na promoção da dignidade da pessoa humana e da família, no compromisso com o desenvolvimento económico e social, na promoção da justiça, passando até pelo empenhamento na política, entre outros.

Agora, sozinho ninguém consegue nada!
Quem não vive a sua fé em comunidade, dificilmente a testemunhará nestes ambientes sem sal nem luz. Em Cristo, verdadeira luz e verdadeiro sal é que encontramos a força necessária para actuar.

Incorporados na Igreja pela fé e pelo baptismo, os cristãos não se podem escusar a ser sal que tempera e dá gosto à vida, e luz que ilumina as razões de ser e viver no mundo.